A Obra Missionária em tempos de (pós) pandemia

O PROBLEMA

Estamos vivendo um período de pandemia mundial e cada país a enfrenta dentro do seu contexto cultural, geográfico, econômico, social e político. No Brasil não é diferente. Cada estado e cada município tem buscado soluções para enfrentar o Covid-19. Entender e conhecer o contexto local é fundamental para enfrentar a crise instalada.

REALIDADE – TRANSMISSÃO GLOBAL, MISSÃO GLOBAL

“Nosso mundo mudou para sempre.” Todos provavelmente viram tais palavras no primeiro quadrimestre de 2020. E, ainda que elas cheirem a hipérbole, presenciamos como um pequeno vírus se tornou o veículo por meio do qual o mundo tomou uma grande sacudida.

Se os órgãos governamentais se reúnem diariamente para avaliar e elaborar respostas à Covid-19, então os que estão no mi­nistério em tempo integral, igrejas e agencias missionárias, provavelmente precisarão de uma abordagem que exija um reengajamento contínuo com os intermináveis ciclos de rápidas mudanças no mundo.

DESAFIOS

Tais contratempos forçam-nos a mudar, a repensar (também conhecido como “arrepender-se”). O novo coronavírus será visto como um dos eventos do tipo divisor de águas, que permitem que nossas civilizações rebeldes façam correções essenciais de curso? É certamente uma oportunidade para modificar nossos caminhos e moldar um futuro que seja mais limpo, justo e bondoso. Até mesmo Deus demonstrou vontade de “destruir o que edificou e arrancar o que ele plantou” (Jr 45.4).

A pandemia, exatamente devido ao seu caráter de calamidade, é um contexto mais que oportuno para a obra missionária. É verdade também que muito da vida prática e efetiva se torna mais difícil, como o levantamento de sustento ou a manutenção dos projetos, os deslocamentos, os encontros, os treinamentos etc. Graças a Deus, o Espírito do Senhor, que é o maior interessado, o verdadeiro promotor e realizador da Missão, desperta no seu povo grande criatividade para nesses dias não permitir que um espírito de desalento, paralisia e deserção tome conta do seu povo missionário.

Graças a Deus pelas ‘lives’ que arrecadaram sustento para as famílias em missão que se viram prejudicadas de uma hora para outra com a perda de alguns de seus parceiros. Louvamos o Senhor pelos inúmeros ‘webnários’, videoconferências e cursos regulares e intensivos que não deixaram apagar a chama. Isto prova tanto a vitalidade da igreja no presente quanto a sua esperança indestrutível para o futuro.

Temos recebido notícias de que ao redor do planeta muitos cristãos estão sendo mobilizados e se engajando no combate da COVID-19 e seus efeitos colaterais. São muitos os nossos irmãos que mobilizam verdadeiras redes de solidariedade para atender as necessidades imediatas de alimentos, água potável, produtos de higiene, remédios e outros.

Pastores, tanto em contexto local urbano, quanto transcultural, têm oferecido um indispensável trabalho de assistência pastoral para consolar os que perderam os seus entes queridos, confortar os que estão acometidos pela doença e encorajar a todos na esperança cristã.

A igreja que ‘fica’, isto significa dizer exatamente a que se ocupa em fazer missões no contexto em que está plantada, também deve ter entre as prioridades de sua agenda a preocupação com a igreja em contexto transcultural e, de maneira especial, a igreja que sofre.

A pandemia piorou e muito as condições dos cristãos em lugares onde são não só uma minoria em proporção ao contingente da população, mas ainda por cima uma minoria odiada e perseguida. Não podemos nos esquecer deles, não agora, não na pandemia. Muitas destas comunidades, apesar de minúsculas muitas vezes, já são autóctones. A sua liderança é nativa e o apoio que ainda recebem é no treinamento continuado ou na recepção de subsídios e material para a obra.

Então, como podemos atuar de maneira que esses nossos irmãos não permaneçam invisíveis aos nossos olhos? O que podemos fazer para que amanhã o Senhor não peça contas do fruto do nosso amor e nos apresentemos de mãos vazias? 

Em primeiro lugar, é necessário tomar conhecimento dessa realidade. Os pastores e os líderes de missões têm a obrigação moral de informar à igreja local o que acontece na igreja global. Somos partes de um mesmo e único corpo, não podemos simplesmente ignorar. Existem sites e publicações diversas que nos dão conta de como as coisas estão ao redor do mundo. É preciso que a igreja seja ‘sensibilizada’ para a condição desumana a que seus irmãos estão sendo submetidos em muitos contextos inimagináveis por nós. Sei que a missão aqui também não está fácil e que as demandas da nossa comunidade local também são urgentes e exigem esforço. Mas uma coisa não anula a outra. Uma realidade, na verdade, inspira a outra. Se podemos aqui, podemos lá. Se nos incomodamos aqui, é certo que jamais estaremos confortáveis com o que acontece lá. Contudo, também em missões, informação faz a diferença.

Um outro passo é manter de maneira criativa, mas igualmente efetiva, as atividades de arrecadação financeira para missionários e projetos através da SM/CIBI que fará chegar os recursos aonde as demandas forem mais urgentes. Não podemos dar qualquer desculpa aqui. É sempre possível, com as muitas ferramentas tecnológicas, oferecer a oportunidade para a efetiva e afetiva contribuição em missões.

Outra maneira poderosa, se não a mais poderosa, de participar do movimento missionário nessa hora é convocar a igreja e manter uma agenda permanente de orações. É preciso criar nas famílias um ambiente propício às orações. Preparar subsídios para que orem diante de um mapa-múndi, distribuir entre as famílias da igreja fotografias de missionários ou a lista de países perseguidos. Criar uma sala virtual de orações específicas por missões. O fato é que a pandemia é uma oportunidade e não somente um desafio. O desafio é permanecer no estado permanente de missões!

Vamos Amar os Povos como Deus Ama! Aceita o desafio?

Pr. Paulo Felipe

Secretário da SM

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